Participantes

Robert Rauschenberg

 1925, Port Arthur, Texas, EUA – 2008, Captiva Island, Flórida, EUA

Musa de lama, 1969-1971 | Foto: Tarlis Schneider/indicefoto | Cortesia Moderna Museet, Estocolmo

Robert Rauschenberg dedicou grande parte de sua carreira à realização de diferentes experimentos sobre o uso e o desenvolvimento de novas formas de encarar as tecnologias conjuntamente com a arte; a partir daí, ele se envol­veu em diversos projetos, incluindo a célebre iniciativa Experiments in Art and Technology, bem como uma participação na Art & Technology, do Los Angeles County Museum – LACMA, com o qual Rauschenberg desenvolveu a singular obra Musa de lama.
        A hipótese do artista partia da ideia de que a tecnologia da época estava repleta de qualidades profundas; de que a arte é uma manipulação criativa de materiais e processos; e de que os novos desenvolvimentos tecnológicos poderiam ser melhor compreendidos pelos artistas se estes estivessem em diálogo com técnicos e/ou cientistas especialistas, que ainda tinham a vanta­gem de contar com os recursos que uma empresa como a Teledyne podia ofere­cer. Assim, os engenheiros da Teledyne se dedicaram à tarefa de pesquisar maneiras de ativar o lodo por meio de ondas sonoras.
       
O tamanho atual do tanque, 2,7 × 3,6 metros, é muito menor do que aquele ori­ginalmente cogitado por Rauschenberg, de 4,8 × 6,4 metros, que foi reduzido de acordo com o maior tamanho passível de ser transportado por via aérea naquele tempo. O tanque, com paredes de plexi­-glas, tem uma “saia” de alumínio, que serve para cobrir o mecanismo elétrico e hidráulico. Já na etapa final do projeto, Rauschenberg finalizou as soundtracks que mesclaria para fazer o lodo borbu­lhar por meio de um sistema aleatório, controlado por microfones posicionados em diversas partes do recipiente.
      
No funcionamento de Musa de lama, o som é um impulso que se transforma em sinal elétrico para, então, distribuir-se em diversas dinâmicas.

Robert Rauschenberg foi um dos artistas precursores da arte contemporânea nos Estados Unidos. Tendo iniciado a sua carreira a partir da pintura, no final dos anos 1940 estudou no Black Mountain College, na Carolina do Norte, onde teve contato com artistas como John Cage e Merce Cunningham, com quem trabalharia de perto anos mais tarde. Vivendo em Nova York, a partir dos anos 1950, passou a incorporar à bidimensionalidade da tela objetos do cotidiano, como revistas, jornais, propagandas, embalagens. Rauschenberg questiona, desta forma, o tradicional espaço pictórico, rompendo com o expressionismo abstrato tão presente naquele momento. Nos anos 1960, ao lado dos engenheiros Billy Klüver e Fred Waldhauer e do artista Robert Whitman fundou o E.A.T. (Experiments in Art and Technology), uma organização voltada para a colaboração entre artistas e engenheiros, que daria origem a um dos primeiros eventos dedicados a interação entre arte e tecnologia 9 Evenings: Theatre and Engineering